Quarta-feira, 27 de agosto de 2014
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REVISTA E.F. Nº 12 - MAIO DE 2004
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Educação Física  e Responsabilidade Social

A instituição de 2004 como o Ano da Ação Profissional e Cidadania demonstra o compromisso do Sistema CONFEF/CREFs com a sociedade. Com isso o órgão aponta claramente o seu interesse em mobilizar os Profissionais de Educação Física na busca de uma qualidade de vida cada vez melhor para os brasileiros. Ninguém mais do que nós, integrantes do Sistema CONFEF/CREFs, entende a respeito da importância da Educação Física na saúde e bem estar de uma sociedade. Ter consciência de nossa Responsabilidade Social nos eleva como pessoas, profissionais e sociedade. Ainda mais num país como o nosso, onde as diferenças sociais são tão gritantes.

No seu dia-a-dia, ao exercer o seu trabalho, o Profissional de Educação Física deve se posicionar na luta por uma sociedade mais justa. Esta é uma das características de uma profissão que tem a atividade física como ferramenta e que lida diretamente com a saúde da população. As próximas edições da Revista E.F. trarão exemplos de projetos envolvendo Profissionais de Educação Física e Responsabilidade Social. Começamos pelos projetos coordenados pelo Profissional Sérgio Tavares, ambos no Rio de Janeiro. O próximo pode ser o seu, basta que nos envie.

Criado há apenas um ano, o projeto Sonho do Campinho, mantido pelo CREF1/RJ-ES e coordenado pelo Prof. Sérgio Tavares (CREF 000038-G/RJ), beneficia cerca de 700 pessoas da Comunidade do Fubá, no bairro de Campinho, na cidade do Rio de Janeiro. O trabalho é realizado com o apoio da Associação de Moradores local, que cedeu o espaço para a instalação de uma sala de musculação, outra de ginástica e dança, uma biblioteca e um campo de futebol. Os beneficiários são atendidos gratuitamente.

A idéia do projeto surgiu quando o Prof. Sérgio Tavares, que tem experiência em projetos sociais, levou para o CREF1/RS-ES a idéia de desenvolver um trabalho naquela comunidade. Segundo ele, a escolha do local e a maneira que o trabalho será desenvolvido não podem ser feitas de forma aleatória e arbitrária. É necessária uma pesquisa de campo, um mapeamento social. Os dados para a pesquisa podem ser fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Instituto Pereira Passos no Rio de Janeiro.

O Prof. Sérgio conta que o segundo passo foi marcar uma reunião com a Associação de Moradores. Ele marcou uma visita de aproximação para captar profissionais que estivessem dispostos a trabalhar em uma comunidade carente. Sobre esta etapa do projeto, o Prof. Sérgio afirma que infelizmente ainda é difícil encontrar Profissionais com este perfil. Ele diz que somente agora as Universidades começam a desenvolver conteúdos relacionados à Responsabilidade Social e acrescenta que o Sistema CONFEF/CREFs tem papel fundamental na divulgação sobre a importância de trabalhos como este.

O esporte é o maior fenômeno social dos últimos tempos, promovendo a inclusão social. E o Profissional de Educação Física é o canal entre a sociedade e este fenômeno. Atualmente vários Profissionais trabalham no projeto, ministrando atividades físicas, entre eles: Uara Lemos (CREF 012676-P/RJ), dança e ginástica, Simone Pacheco (CREF 011532-G/RJ), ginástica e musculação, além de Profissionais de outras áreas, como Serviço Social e Pedagogia, conta.

O trabalho realizado pelo projeto é multidisciplinar e promove a melhora global do indivíduo. O horário das atividades é de segunda a sexta-feira de 8:00 às 16:00. O Profissional de Educação Física precisa entender que os projetos sociais representam uma abertura crescente no mercado de trabalho. A mão-de-obra na parte de Gerência de Projeto ainda é escassa, afirma.

A Prof. Simone Pacheco conta que em apenas seis meses foi possível verificar progressos significativos. As crianças entre seis e dez anos são unânimes em dizer que o desempenho escolar delas melhorou depois que passaram a participar das atividades do projeto. Também as mulheres que participam do projeto afirmam que recuperaram a auto-estima e pessoas da terceira idade se sentem motivadas a praticar exercícios físicos. A ociosidade, que antes preenchia o dia-a-dia dos moradores, cedeu lugar a hábitos que melhoraram a vida dessas pessoas nos aspectos físicos e psicológicos.

Este projeto do CREF1/RJ-ES é o piloto. Para que iniciativas como estas cresçam é preciso estabelecer parcerias. Qualquer órgão pode ajudar, desde que suas atividades sejam condizentes com os pressupostos do Sistema CONFEF/CREFs.

PROJETO SURF SEM LIMITES
PIONEIRISMO E RESPONSABILIDADE

Supervisionado pelo Prof. Sergio Tavares, o Projeto Surf Sem Limites desenvolve um trabalho pioneiro no Brasil: aulas de surf para portadores de deficiência mental, síndrome de Down e paralisia infantil. O projeto tem três meses e atende a dez jovens carentes da comunidade do Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro. A pesquisa científica foi desenvolvida a partir dos preceitos da Ecoterapia, utilizando mecanismos da equitação para aplicação no surf. A idéia é transformar o surf em um para-desporto, explica o Prof. Sergio Tavares.

Antes do início das aulas, os alunos passam por uma bateria de testes psicomotores e, após duas semanas, são reavaliados. Os batimentos cardíacos e o nível de ansiedade dos beneficiários são monitorados durante as aulas. Cada aluno entra no mar acompanhado por um professor, atendendo ao quesito segurança. Este projeto também é multidisciplinar, contando com atividades de um fisioterapeuta, de alunos de Educação Física e também de Profissionais Provisionados. Todos são voluntários.

A maior dificuldade do projeto é financeira. O projeto já tem parceria com a Cooperativa de Vans Rio das Pedras, que transporta os alunos da comunidade do Terreirão até o Posto 3, na Avenida da Américas, na Barra da Tijuca; toda quinta-feira de 10:30 às 12:00, e com a fábrica de pranchas e escola de surf Joke, que cede o espaço e fornece todo o material utilizado durante as aulas. O donos da Joke, Pedro Cunha (CREF 013207-P/RJ) e Evandro Guimarães (CREF 013197-P/RJ), também são Provisionados e participam como voluntários. A coordenação do projeto está por conta de Gustavo Melich, estudante de Educação Física, e André Scaramella, Fisioterapeuta. A continuação do projeto depende de parcerias para aumentar o número de beneficiários e remunerar os profissionais.

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