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Mundial impulsiona projeto Karanba, que realiza o sonho de meninas de jogar futebol11/10/2019

Era uma vez uma menina chamada Ágatha. Mais uma entre tantas garotas sonhadoras, cuja realidade a impedia de chegar até onde sua imaginação alcançava. Um dia, apareceu um “príncipe encantado”. O norueguês Tommy Nilsen, ex-jogador e fundador do Karanba, visitou o colégio onde ela estudava e, inspirado no clássico “Cinderela”, lhe ofereceu apenas um pé de chuteira. Disse que se ela quisesse completar o par, teria que fazer um treino com o time do projeto social, em Vista Alegre. Foi amor à primeira vista. Mas no conto de fadas de Ágatha, a paixão que mudou sua vida não foi pelo príncipe, mas pelo futebol.

Hoje, ela é mais uma entre tantas meninas que têm a oportunidade de, através do esporte, mudar de vida. De carona no sucesso da Copa do Mundo de futebol feminino da França, em junho, o Karanba viu a busca pelas aulas bater todos os recordes. O número de meninas do projeto, desde então, mais que dobrou. São, ao todo, mais de 70 alunas, a partir dos 6 anos, que disputarão o Estadual do Rio.

— Jogava na rua, com os meninos, não tinha medo. Mas minha mãe não me colocava na escolinha porque não tinha condições. Hoje eu estou aqui realizando meu grande sonho — conta Ágatha Silva, de 18 anos.

Mas os objetivos dela não param por aí. Com Marta como inspiração, vislumbra o dia em que trocará o uniforme do Karanba pelo de um time grande do Rio e, quem sabe, chegar a vestir a camisa amarela da seleção.

— Eu quero muito crescer no futebol, ser convocada. A Marta é um exemplo, porque tem muita força de vontade, ela lutou muito para chegar aonde está.

A realização no futebol, no entanto, não afastou Ágatha dos estudos. Pelo contrário. Uma das exigências para ela e todas as meninas inscritas é de frequência nas aulas e um bom desempenho nas disciplinas. Além do incentivo escolar, o Karanba oferece ainda acompanhamento psicológico para todos os atletas. O objetivo é, muito mais do que campeões, formar cidadãos.

É o caso de Natane Vicente [CREF 050953-G/RJ].  Ex-aluna do Karanba, hoje ela transmite tudo o que aprendeu ao longo deste processo para meninas que cultivam os mesmos sonhos que ela já alimentou um dia.

— O lado esportivo do projeto é só uma ferramenta. Aqui a gente visa fazer as alunas evoluírem no âmbito social. Foi assim comigo. Joguei aqui e me formei em Educação Física depois que entendi a importância do estudo neste processo — analisa, esperançosa de que o movimento crescente do futebol feminino no Brasil esteja apenas iniciando:

— Na minha época, não passava na televisão. Hoje, uma menina de 6, 7 anos tem vontade de jogar porque vê acontecer. Isso é fundamental para o crescimento do futebol feminino aqui no Brasil — opina Natane.

Uma craque entre os meninos

Não é só de futebol feminino que vive o Karanba. Mesmo assim, elas têm cada vez mais espaço. Neste ano, o time de meninos vai contar com um reforço: Kathelyn, do Sub-13, vai disputar a Copa Light. Será a primeira vez que o projeto terá um time misto, embora o incentivo ao futebol feminino venha desde 2011. Para Kathelyn, o desafio será encarado com personalidade:

— Estou acostumada a jogar com os meninos, me sinto preparada para a competição. Jogo futebol desde os 11 anos e meu sonho é ser uma jogadora profissional — projeta ela, aos 13 anos.

Ex-alunas hoje brilham em grandes clubes

Ainda que a missão do Karanba vá muito além do futebol, a competitividade não é jogada para escanteio. Pelo contrário: com treinos diários e muita dedicação, o projeto já revelou talentos para três grandes do Rio.

No Flamengo, Raíssa, Rafaela e Débora Sorriso são as representantes; no Fluminense, Ingrid, Maria Luiza, Janaina e Samara; já no Botafogo, Tainá e Andressa Alves. Outras ex-alunas ainda brilham fora do Rio: Dynnifer (São Paulo) e Taynara e Catulen (América-MG).


Fonte: Extra