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Após enfrentar obesidade mórbida, profissional se especializa em ajudar pessoas acima do peso26/10/2018

Estudante de educação física, Rafael Rodrigues de Carvalho Pereira, então com 22 anos, engordou 60kg durante uma depressão. No auge, chegou a pesar 144kg, numeração 62 (no lugar da habitual 44), num quadro de obesidade mórbida. “Sempre fiz atividade física intensa, vivia em equilíbrio. Mas, com o quadro depressivo, fiquei parado e ganhei peso de forma exponencial, o que passou a prejudicar minha vida e minha saúde: perdi oportunidades de trabalho, senti dificuldades de locomoção, a pressão aumentou e desenvolvi pré-diabetes. Decidi, então, procurar ajuda, e percebi que o obeso mórbido não encontra suporte adequado em academias convencionais”, afirma, referindo-se à sensação de peixe fora d’água e outros empecilhos.

“Incomodado, fiz um programa de emagrecimento por conta própria: pedalava, caminhava e me exercitava, mas mesmo na rua era alvo de chacota, de piadas. Com isso, vi que por mais que a pessoa obesa queira mudar, encontra barreiras, e decidi pensar em meios de contribuir para mudar essa história”, conta. 

A experiência fez Rafael atestar que a obesidade não tem cura, mas tratamento baseado em cuidados constantes. “Esse público precisa de atenção especializada, interdisciplinar e de acesso amigável”, afirma. O professor cursou nutrição, coach e pós- graduação em obesidade e emagrecimento para abrir a CrossFat, academia especializada em ajudar obesos a perderem peso com foco em três pilares: nutrição, psicologia e atividade física. A primeira unidade, no Bairro Santa Efigênia, Região Leste, foi inaugurada em 2012. A segunda, no Buritis, Região Centro-Sul, no ano passado. “Contabilizamos a perda de peso dos alunos e já chegamos à marca de 13.600kg”, orgulha-se.  

Como funciona

Em busca de resultados concretos e sólidos, Rafael explica que só matricula alunos que precisam perder o mínimo de 10kg. O contrato é personalizado e é o professor quem desenvolve o programa de cada um, de acordo com o peso a ser eliminado e o prazo necessário para o alcance da meta. Há, ainda, a necessidade de o candidato estar com exames clínicos em dia, apto à prática de atividade física e se comprometer a fazer acompanhamento com nutricionista. 

Outra condição do professor é que o aluno bata meta semanal (eliminação de 600g para homens e de 500g para mulheres), com a “pena” de ter o contrato encerrado caso não a cumpra por duas semanas consecutivas. “O programa é baseado na metodologia de metas, a partir de atividades de alta intensidade e baixo impacto, adaptadas ao condicionamento de cada um. Lembrando que a disciplina é fundamental para chegar ao objetivo final e que temos suporte constante de um psicólogo nas unidades.” 

Entre os alunos “modelo”, Rafael cita Antônio César Ward Júnior, de 38 anos, publicitário. “Cheguei a pesar 220kg e comecei a desenvolver diversos problemas: dificuldades para dormir, me locomover, trocar a roupa, tomar banho. Procurei um médico para fazer a cirurgia bariátrica, quando conheci a proposta do Rafael e decidi mudar minha vida. Com o programa, acompanhamento com nutricionista e mudança de hábitos, como trocar o elevador pela escada e ir ao supermercado a pé, eliminei 123kg em 11 meses e 10 dias”, afirma o aluno. 

Entre os diferenciais do método, Júnior destaca “o fator cobrança de metas” e “o clima da academia especializada”. E justifica. “Quando pesava 220kg, tinha vergonha de me matricular em uma academia convencional. No CrossFat, o resultado que todo mundo quer é o mesmo e ninguém julga você pela aparência”, destaca. Entre as dificuldades vividas até alcançar a meta, ele fala sobre adaptação inicial à rotina de exercícios e à reeducação alimentar. 

No entanto, afirma ser possível, sim, superá-las. “Cheguei a um ponto em que precisava recuperar minha qualidade de vida e concluí que mesmo uma cirurgia bariátrica não muda a cabeça de ninguém, só o estômago. Tanto que muitas pessoas recuperam o peso. Com o Rafael, aprendi que a obesidade é uma doença que não tem cura, mas tratamento por meio da mudança de hábitos, disciplina e constância. Assim, mantenho a rotina de exercícios físicos, aboli refrigerante, suco e fritura da dieta, aprendi a substituir doces por barra de proteína e pasta de amendoim. Hoje, sou totalmente ativo, minha vida social melhorou 100%, minha vida conjugal melhorou 100%, a pressão e a glicose estão normais. Então, valeu a pena demais, conquista que sagrei em dezembro com a retirada cirúrgica de pele do peito e do abdômen, minha autoestima disparou.” 

O professor repete o que costuma dizer para quem o procura: “Acredito ser possível emagrecer sem cirurgia e sem remédio. Sim, muitas pessoas têm dificuldade em acreditar nos resultados, mas garanto que eles existem. E fico mais e mais motivado a ajudar o outro a recuperar uma rotina funcional. Quando concluímos um programa, sinto que resgatei uma vida.” 

Alessandra Costa e Alcântara, aluna 

“Cheguei ao limite” 

Com 148,8kg de peso, Alessandra Costa de Alcântara conta que foi o diagnóstico médico de obesidade mórbida a gota d’água para procurar ajuda. “Nem me observava mais no espelho, mas notava meu excesso de peso pelo olhar de choque que lançavam pra mim. Vivia cansada, lenta, preguiçosa. Não encontrava roupas em lojas e estava pré-diabética quando recebi indicação médica para uma bariátrica. Mas nunca quis correr o risco da cirurgia e percebi que havia chegado ao limite. Ali, decidi que estava na hora de recuperar minha saúde”, lembra-se.

Alessandra conheceu o CrossFat, fez reeducação alimentar, suou a camisa e ainda precisou superar a distância da casa para a academia e um orçamento apertado para seguir o programa. Hoje, um ano e nove meses após a matrícula, aos 40 anos, comemora a eliminação de 77kg. “Não considero que minha recuperação tenha sido rápida, ainda estou no processo de emagrecimento. Mas afirmo que minha vida mudou à medida que fui perdendo peso. Voltei a me admirar no espelho, posto vídeos, treinos e dicas no Instagram para motivar outras pessoas, recebo elogios. Estou feliz, animada, disposta”, afirma. 

A bancária quer eliminar os 13kg que faltam para concluir o programa, mas já se diz satisfeita por ter se tornado um exemplo para outras pessoas e pensa até mesmo em trabalhar nessa área, contando a própria história para o mundo. “É como o Rafael disse lá no nosso primeiro contato: você não é gorda, está gorda. O programa não é milagroso. No entanto, mostra que é possível perder peso pelo próprio esforço. Está nas mãos de quem quiser, e sou prova viva disso.”


Fonte: Saúde Plena