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Maioria dos diplomas em educação física é da licenciatura, mas procura pelo bacharelado tem cresci28/09/2017

Uma das carreiras mais procuradas pelos candidatos do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), a Educação Física está em alta. Em 2015, 35 mil estudantes se formaram na graduação, segundo dados do Censo da Educação Superior. A maioria (79%) estudou em universidades e faculdades particulares e 60% optaram pelo diploma em licenciatura.

Embora maioria, os licenciados em educação física estão perdendo espaço para os bacharéis: em 2010, essa proporção era de 71% do total de formados. O número total de novos licenciados caiu 10,5% no mesmo período, enquanto o de formados em educação física na área de saúde (o bacharelado) aumentou 47,6%.

Em 2015, 21.013 pessoas se formaram na licenciatura, enquanto 14.019 pegaram o diploma do bacharelado. Essa diferença, em 2010, era significativamente maior.

Há cerca de dez anos, a formação sofreu reformas no Conselho Nacional de Educação (CNE), que regulamentou as modalidades de graduação de licenciatura e bacharelado. A primeira, que responde até hoje pela maior parte dos estudantes que recebem o diploma todos os anos, permite que o profissional atue na área de educação, como professor de educação física no ensino básico (na educação infantil, no ensino fundamental e médio).

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com dados do Caged, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho e Emprego, mostrou que, entre janeiro de 2009 e dezembro de 2012, foram abertos 6.848 novos postos de trabalho de nível superior para profissionais de educação física. Foi a 11ª profissão com o maior número de novas vagas no período.

Segundo o professor Roberto Furtado, existe uma discussão sobre o que é melhor para a formação do profissional, e também mudanças no mercado de trabalho, como a "grande expansão das academias de ginástica", mas, também, a "legitimação da educação física no campo da saúde", com a carreira ganhando espaço e relevância entre as atividades inseridas no Sistema Único de Saúde (SUS). Nos dois casos, as vagas para profissionais da educação física não exigem formação em licenciatura.

"Entre os cursos mais antigos, tradicionais, a maioria das instituições tinham licenciatura e algumas abriram bacharelado. Outras ficaram só com licenciatura. Essa expansão [dos cursos de bacharelado] se dá principalmente pelas faculdades privadas. Elas acompanham mais a demanda do mercado, de forma mais rápida. O interesse do mercado prevalece bem mais", diz Furtado.

Valorização do professor

O equilíbrio entre as duas modalidades da graduação em Educação Física também é afetado pelas mudanças dentro do campo da licenciatura e a falta de valorização dos professores, afirma o professor. "Em todas as áreas, não só na educação física, tem muitas vagas que não são preenchidas por licenciados, existe a vaga e não tem o professor, porque a formação de professor no Brasil é bastante precária, não existe um estímulo para a carreira, o jovem não quer ser professor em geral."

A grade curricular das duas graduações, porém, não é muito diferente. Na Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, a primeira metade dos cursos tem a mesma oferta de disciplinas. A partir do quinto semestre, cada um começa a seguir uma linha própria: enquanto na licenciatura há disciplinas voltadas à estrutura do ensino básico (educação física na educação infantil e no ensino fundamental, por exemplo), no bacharelado as disciplinas apresentam uma perspectiva mais genérica, como educação física na primeira infância, na adolescência e na terceira idade, entre outras.

Há ainda um enfoque diferenciado na licenciatura, onde os estudantes fazem disciplinas de metodologia, didática e política e organização da educação. Já no bacharelado, há disciplinas voltadas diretamente a aspectos da saúde e doenças crônico-degenerativas. Na licenciatura, é preciso fazer um trabalho de conclusão de curso para se formar, enquanto no bacharelado os alunos têm três semestres para preparar uma monografia.

O currículo da parte comum, porém, abrange uma série de temas e exige conhecimentos das áreas de ciências humanas e da natureza. De acordo com as diretrizes do CNE, de 2004, a estrutura todos os cursos de educação física no Brasil deve contemplar cinco eixos:

Formação ampliada: relação ser humano-sociedade; biologia do corpo humano; produção do conhecimento científico e tecnológico

Formação específica: dimensões culturais do movimento humano, técnico-instrumental e didático-pedagógica

Núcleos temáticos de aprofundamento: prevenção, promoção, proteção e reabilitação da saúde, da formação cultural, da educação e reeducação motora, do rendimento físico-esportivo, do lazer, da gestão de empreendimentos relacionados às atividades físicas, recreativas e esportivas (até 20% da carga horária total do curso, a critério da instituição)

Teoria-prática: prática como componente curricular, estágio profissional curricular supervisionado e atividades complementares

Licenciatura: dimensões biológicas, sociais, culturais, didático-pedagógicas, técnico-instrumentais do movimento humano

Cada instituição tem autonomia para escolher a ordem em que os conteúdos são dispostos na grade curricular. Mas, segundo Luciana Venâncio, professora do Instituto de Educação Física e Esportes da UFC, todos os cursos precisam contemplar uma formação ampla dos profissionais.

"As disciplinas do currículo de formação em educação física (licenciatura e bacharelado) dialogam com saberes de diferentes áreas do conhecimento com o objetivo de articular quatro dinâmicas específicas: da Cultura, do Movimento, do Corpo e do Ambiente." Ela afirma que, atualmente, há disciplinas que buscam articular conhecimentos em práticas integrativas, "que envolvem estudos e reflexões de antropologia e filosofia para compreender questões corporais do organismo humano no mundo contemporâneo".




Fonte: G1